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A posição foi apresentada pelo vice-presidente da autarquia, João Cruz, durante a sessão de lançamento do concurso público para a construção do empreendimento, realizada esta quarta-feira na Câmara Municipal de Gouveia, na presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Na sua intervenção, João Cruz sublinhou que a prioridade deve ser o abastecimento público de água, defendendo que os municípios precisam de conhecer, antecipadamente, os volumes de água que poderão ser destinados ao consumo humano, a existência de uma reserva estratégica para períodos de seca ou de emergência e a articulação da futura barragem com o sistema de Fagilde e com as redes municipais e intermunicipais de abastecimento.

O autarca considerou que estas questões devem estar esclarecidas antes da assinatura da concessão, defendendo que "a prioridade do consumo humano não pode ficar dependente da boa vontade futura do concessionário".

O Município de Mangualde propôs ainda a criação de uma comissão de acompanhamento permanente, envolvendo os municípios, o Governo e a Agência Portuguesa do Ambiente, para garantir a participação das autarquias nas decisões relacionadas com os usos da água, a avaliação dos impactos do empreendimento e a implementação das respetivas medidas de compensação.

João Cruz defendeu igualmente que os concelhos do interior não podem suportar apenas os impactos ambientais e sociais da infraestrutura, enquanto os principais benefícios económicos são canalizados para outras regiões.

Nesse sentido, apelou para que o futuro contrato de concessão inclua medidas concretas de valorização do território, nomeadamente ao nível das acessibilidades, da proteção civil, da recuperação ambiental, da eficiência hídrica e do apoio ao desenvolvimento económico local.

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